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sexta-feira, 4 de julho de 2008

Pesquisa do IBASE destrói mitos construídos contra o Bolsa Família

A revista CartaCapital (02/07/09) produziu excelente reportagem especial sobre o programa Bolsa Família. Nem tudo está perdido na mídia nacional. O jornalista Phydia de Athayde se baseou numa pesquisa do respeitável Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE) para destruir sete principais mitos construídos pela mídia, pelos políticos conservadores ou por simples burrice mesmo.
PRIMEIRO MITO: “Não existe fome no Brasil”. Errado. Existe fome no Brasil, embora tenha havido avanços. Os indicadores foram aperfeiçoados. Agora existe a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar que determina se a situação é grave, como fome entre adultos e/ou crianças da família pesquisada, se a fome é moderada, com restrições na quantidade de alimentos, se a fome é leve, persistindo o receio de faltar comida. No Brasil há 6,1 milhões de lares em situação de insegurança alimentar, ou seja, 30 milhões de brasileiros.
SEGUNDO MITO: “O Bolsa Família não chega a quem precisa”. Errado. O programa atinge os mais pobres, mas não a todos, são 11,1 milhões de famílias, ou seja, 50 milhões de pessoas. Há dificuldades em atingir grupos vulneráveis, invisíveis, com endereço precário, alguns submetidos a trabalho escravo, há indígenas e quilombolas.
TERCEIRO MITO: “O programa é assistencialista”. Errado. Assistência Social é uma coisa, direito do cidadão, já o assistencialismo visa a tirar proveito político e eternizar a dependência. Há muito cinismo e desprezo quando ao direito à assistência do Estado. O Bolsa Família é uma política de Estado, regida por lei. Há contrapartidas, como a obrigação de vacinar e manter os filhos na escola. O Bolsa Família cria vínculos da população com o Estado e destrói a relação de dependência com políticos.
QUARTO MITO: “Receber o Bolsa Família acomoda”. Errado. O suposto efeito preguiça é a crítica mais costumeira do senso-comum. Os números desmentem esse argumento ideológico: 99,5% dos pesquisados não deixaram de trabalhar ou de gerar renda de alguma forma depois que passaram a receber o Bolsa Família. Apenas 0,5% deixaram suas ocupações, mas, destes, a maioria era submetida a trabalhos degradantes, como os cortadores de cana. Nestes casos, deixar o trabalho indigno é uma conquista da cidadania.
QUINTO MITO: “O pobre não sabe usar o dinheiro”. Errado. No Nordeste, 91% dos beneficiados usam o dinheiro para alimentação. No sul o percentual cai para 73%. O restante vai para material escolar, vestuário, remédios, gás, luz, água e tratamento médico. A alimentação consome 56% da renda total das famílias. Nas famílias que já têm o básico (feijão, arroz, açúcar, leite, óleos, ovos etc) o Bolsa Família permitiu acesso a complementos alimentares como frutas, verduras, carne e industrializados. A pesquisa do Ibase quantifica tudo isso. As mães disseram aos pesquisadores que elas gostam de oferecer “lanches” aos filhos, como biscoito e iogurte. Elas sabem, sim, usar muito bem o dinheiro.
SEXTO MITO: “O Bolsa Família acaba com a pobreza”. Errado. O programa é bem-sucedido no que se propõe, mas tem um limite. Não acaba com a pobreza. A simples transferência de renda não resolve os problemas sociais. O Bolsa Família alivia a pobreza imediata, reduz a pobreza nas gerações seguintes e precisa integrar-se a outras alternativas de desenvolvimento, a exemplo do Programa de Aquisição de Alimentos, Agricultura Familiar, Pronaf, Territórios da Cidadania, Brasil Alfabetizado, cursos de capacitação e acesso ao crédito. Ou seja, é preciso executar políticas públicas integradas para acabar com a pobreza.
SÉTIMO MITO: “O Bolsa Família é eleitoreiro”. Errado. Esse argumento é sempre usado pela oposição ao Governo Lula. A chiadeira é maior nos grotões tradicionalmente controlados pela elite financeira local. O preconceito, a má vontade e as críticas superficiais têm uma razão de ser. Nas últimas três eleições municipais (1996, 2000 e 2004) verificou-se um avanço dos partidos de esquerda e um recuo dos partidos de direita. Tem sido o efeito eleitoral do afastamento do intermediário local entre o eleitor e o Estado.

Fonte: http://bahiadefato.blogspot.com/2008/07/pesquisa-do-ibase-destri-mitos.html

2 Comments:

Anônimo said...

Não concordo com a pesquisa divulgada. A mesma contém erros muito graves. Se por uma lado o bolsa família exite para as famílias mais carentes, por outro lado, atinge muitos que não precisam do beneficio, e ainda pior serviu muito mais para a disseminação das drogas, muitos deixam seus cartões com os traficantes. É necessário que haja compromisso com aquilo que se divulga, principalmente para com aqueles que terão acesso. Isto é uma demagogia sem precedentes. Pesquisa deve ser séria e não para manter o status quo de quem esta no poder. Vergonha, vergonha é o que sentimos diante de tenta fraude, A quem se predende enganar?

Anônimo said...

Gostei bastante desse post mostrando os mitos referentes ao Bolsa Familia. E se o anônimo acima tenta atacar o programa falando de traficantes que usam o programa ele deveria era usar de mais honestidade e não julgar um programa com base nas exceções dele. Se ele sabe de algum caso em que traficantes sejam beneficiados ele deveria então denunciar essas pessoas pois este problema não estaria no programa em cima e sim no mal uso que fazem dele em casos pontuais

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