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segunda-feira, 24 de março de 2008

Um pouco de humor

Pretendo utilizar este espaço para formar um banco de dados de textos já escritos há algum tempo, alguns são sérios ou sisudos, outros são humorísticos e outros ainda, como é o caso deste post, é hilário mas verdadeiro.

REZAR É BOM, O SONO É QUE ATRAPALHA.

No lar onde nasci e fui educado, meus pais tiveram o saudável hábito de nos orientar espiritualmente através de devoções diversas das quais se destaca a recitação do Terço de Nossa Senhora, em família.

Nunca, exceto em caso de enfermidade, se podia ir dormir antes da oração que religiosamente era recitada por volta das vinte horas e depois da qual todos deveriam se recolher para o despertar no dia seguinte por volta das quatro e meia, ou na melhor das hipóteses, às cinco horas da manhã do dia seguinte para uma outra oração matinal. Esta, embora cotidiana, devido ao sono e ao desejo, nunca satisfeito de permanecer na cama por mais alguns valiosíssimos minutos nunca consegui aprendê-la. Era uma seqüência de orações intermináveis que durava aproximadamente meia hora. Logo depois desta seqüência de orações, ocorria uma procissão de treze filhos e filhas que a começar pela mais velha, se dirigiam aos meus pais para receber a bênção. Depois deste ritual cada um, já conhecedor de sua função, se dirigia a ela quase sempre sem êxito em qualquer tentativa de resistência ou reclamação.

Assim começava o nosso dia e com a outra oração, a do terço, findava-se.

Nossa lida era pesada e meus pais precisavam se virar para sustentar aquele exército de filhos. Hoje, talvez se pudesse dizer: aquele time de futebol com dois reservas. No entanto, futebol lá, nunca tivera nenhuma expressão.

Certa vez, após uma semana inteira de pesado labor na enxada, estávamos cumprindo o ritual noturno no qual meu pai recitava um mistério do terço ao mesmo tempo em que cochilava perdendo o domínio sobre o pescoço que subitamente despencava para um lado e para outro numa luta interminável contra o sono e o cansaço. Também não era raro durante esta luta ouvir-se alguns estouros provocados por escapamentos de gases que ele naquele estado não conseguia contê-los. Foi então quando minha saudosa mãezinha, num estalado impulso, atira-se sobre meu pai sacudindo-lhe com força os ombros, impacientemente puxando bem o "r", como fazem os purtugueses e retrucou:

- Alonso! Ô Alonso! Ou tu reza, ou tu dorme, ou tu bufa. As três coisas de vez não pode que Deus não é doido e não vai saber o que escutar.

E ele respondeu:

- Só se for o teu Deus, Dilza,

Desta hora em diante, apesar do sono ter dado uma trégua, foi difícil terminar a oração devido o riso geral que o fato provocou.

No dia seguinte a rotina é retomada.

1 Comment:

Mística said...

rsrsrsrsrsrsrsrs
Acredito que foi um jeito novo de rezar.
Muita boa.
Um forte abraço meu velho.

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