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sábado, 3 de maio de 2008

A década de 90 em Riachão do Jacuípe

A década de 1990 foi muito movimentada no mundo da política em Riachão do Jacuípe, depois de outras décadas de uma certa "paz" imposta pela ignorância, conivência e comodismo de algumas instituições e de muitos jacuipenses.
Neste período, uma boa coincidência entre os melhores anos de atuação da Igreja Católica local e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais proporcionaram uma revolução no comodismo da população.
Destacou-se a militância de vários leigos, que graças a, e com, o Pe. José Silvino, fizeram uma reflexão sobre o comportamento da paróquia e da população jacuipense. Isto foi suficiente para que vários acontecimentos desencadeasse uma transformação valiosa e conflitante.
Alguns leigos resolveram assumir a militância política, e quase dez anos após, instalaram um diretório do Partido dos Trabalhadores no município. Porém muito antes, a atuação crítica de vários leigos resultou em convites para os mesmos assumirem postos na administração municipal.
Após três décadas, o município passou às mãos de outro grupo político diferente daquele comandado pelo ex-prefeito, ex-deputado estadual e grande chefe político Eliel Martins. Entretanto o prefeito eleito no ano de 1996 foi um dissidente daquele grupo, mas não tinha diferença ideológica dos adversários, apenas o conflito por desejar o mesmo cargo que outros desejavam e só era possível apenas para um, o de prefeito.
Naquele ano, apenas duas candidaturas foram registrada para o referido cargo. A atuação da igreja como a mais ferrenha crítica das administrações anteriores foi utilizada pelo candidato adversário (o que ganhou a eleição daquele ano), como se a igreja o apoiasse. O que em verdade, não foi bem isso. O apoio veio por conseqüência e não de forma planejada. Não se tinha partido organizado na época em que os militantes da igreja atuaram de forma crítica e assim não podiam lançar uma candidatura comprometida com os projetos, valores e orientações da igreja. Não tinha sequer leigo atuante daquela militância, filiado a partido político.
Desta forma, pelo fato de a igreja está desde 1991 realizando trabalho de conscientização política, incentivando aos leigos para que se comprometessem com os rumos políticos, à luz da doutrina social da igreja, trabalho este, que demanda muito tempo e o já transcorrido não tinha sido ainda suficiente.
Neste contexto a candidatura de Herval Campos, opositor de Valfredo Matos, herdeiro do posto de líder do grupo de Eliel Martins à época, acabou por ganhar forças com a atuação do trabalho da igreja.
Vencida a eleição, Herval convidou alguns leigos a integrar a sua equipe de governo, inclusive eu, fui um dos convidados que aceitou.
Embora temeroso, aceitei mesmo sabendo que o futuro governo não seria muito diferente dos anteriores, mas senti-me um tanto responsável por aquela mudança de mãos do poder. Aceitei por me sentir um pouco responsável por aquilo e principalmente para provar que era possível fazer o que pregava há anos. Fui muito mais como um crítico do que como um entusiasta, aliás, cá com meus botões, nunca tive entusiasmo algum por aquele governo que contou com o meu voto apenas por falta de outra opção "menos pior".
Percebendo os descaminhos do "novo" governo, fui o primeiro cidadão a reclamar, mesmo integrando seus quadros.
Nem a oposição o fez tanto, tão a tempo nem tão veementemente como eu. Sentia-me responsável em não permitir que minha presença no governo fosse utilizada para dar boa imagem a quem não a construiu com dignos esforços. Assim tratei logo de deixar claro que se eu não podia ser útil a uma verdadeira mudança, não permitiria ser utilizado para aparentar isso.
O texto abaixo, em forma de imagem é um exemplo do quanto fiz para evitar ser utilizado para enganar o povo jacuipense.
Clique sobre a imagem abaixo deste texto para que você possa ler o conteúdo do manifesto contido nela.

4 Comments:

Anônimo said...

Companheiro, esse documento vale ouro. Deus te proteja sempre e principalmente nas horas que voçê lutar a fovor da democracia.

Mística said...

Olá companheiro,
Rendemos graças a Deus pela sua história de Fé e Política,Luta e Mística.
Que o Deus-Axé,Criador do Universo,te abençoe.Acredito que sua militância é proviniente de uma sincera e evangélica opção preferencial pelos pobres e oprimidos.
E como disse o teólogo e escritor José Lisboa,que você conhece muito mais do que eu:"Enquanto estivermos incomodando,estamos bem".
E o documento de Puebla:"Leigo:homem da Igreja no coração do Mundo e homem do Mundo no coração da Igreja"
Um forte abraço!

A história se faz. Faça a sua! said...
Este comentário foi removido pelo autor.
A história se faz. Faça a sua! said...

Caríssimo Janderson,
Que alegria retomar contato com você. Ainda mais, saber que você continua firme em seu ideal.
Obrigado pelos comentários animadores.
Muito Axé, muita paz e que Deus esteja sempre visível à humanidade através da ações daqueles que se dizem crentes em seu amor.

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