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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Férias

Do alto dos meus 38 anos de vida feliz e sacrificada, pela primeira vez consigo sair de férias, melhor ainda, com a família. Portanto como o dinheiro é pouco devo estar de volta dentro de 10 a 15 dias. Se puder, a qualquer momento atualizarei o blog lá das belas terras do Ceará que vou finalmente conhecer.
A todos,


Limites de Barack Obama


 
 Tenho certeza de que causo frustrações e discordâncias também à esquerda (ainda que menos) e não só à direita, pelo simples fato de que, de repente, você entra em meu blog e lê um texto “Em defesa de FHC” ou contra a exploração política da vida íntima do “demo” Gilberto Kassab.
Este blog é muito menos ideológico e partidarizado do que parece. Não que eu não tenha ideologia e que não tome partido na política, porque tomo e jamais escondi isso de ninguém. Já me cansei de dizer que apóio o governo Lula e que acho o PT melhor do que os outros grandes partidos com possibilidades de ser governo.
Quando, portanto, escrevo um texto contemporizando com o governo Barack Obama, que, nos últimos meses, desagradou à esquerda mundial nos episódios de Honduras e do envio de mais tropas ao Afeganistão, novamente vou na contra mão do grupo político e ideológico com o qual tenho maior convergência, que nem por isso é total.
Nesse caso de Obama, fico com Lula: o presidente americano ainda irá demonstrar muita coisa boa. E Lula diz isso porque sabe das limitações que se tem quando se é governo em países nos quais, muitas vezes, uma eventual oposição conservadora continua ocupando nichos do poder que eleições não têm o poder de lhe tirar.
Pode-se argumentar contra Lula que ele não acabou com a farra dos bancos, por exemplo, mas é porque ele tem limites como Obama tem para atuar contrariamente às forças que controlam a máquina militar da potência hegemônica a qual até Hollywood já disse claramente ao mundo que, em certas questões, funciona à revelia da Presidência.
Tampouco se pode esquecer que, até por culpa própria, os EUA de hoje têm uma guerra com radicais islâmicos fanatizados como os da Al-Qaeda que já atiraram três aviões contra inocentes naquele país, matando milhares de pessoas. Claro que foi uma retaliação ao imperialismo ianque, mas não aceito radicalismo assassino de parte nenhuma.
É óbvio que, estando em guerra, os EUA são alvo de novos possíveis ataques em seu território e em suas representações pelo mundo. Não se pode pedir aos americanos que se entreguem nas mãos de seus inimigos, que evidentemente não querem conversa ou contemporizações.
Sim, governos americanos têm culpa por isso e gerações de americanos civis também têm culpa por isso, mas não se pode transferir culpas de gerações para gerações.
O que vejo de Obama é que é um democrata e está disposto a negociar com os inimigos dos EUA, os quais, até por razões compreensíveis, ou não querem acreditar que seja verdade a disposição do presidente dos EUA para estabelecer a paz ou não concordam com as condições da potência para essa paz, condições que tampouco dependem só do chefe do Executivo.
Mas Lula sabe, eu sei e todo aquele que tentar olhar a cena com eqüidistância saberá que onde a boa vontade de Obama puder prevalecer, ele a usará. Não se pode, porém, pedir que ele convença todo o seu povo a adotar posturas das quais este não abre mão, como a de achar que os EUA devem exercer o poder que detêm.
Pode-se dizer, quem sabe, que a idade vai me tornando um tanto quanto pragmático. O que penso nesse tipo de questão é que temos uma situação de fato na qual a alternativa a Obama é muito pior. Onde for possível apoiá-lo – e até onde for possível –, portanto, haverá que apoiar, em minha opinião.


Eduardo Guimarães

O sacrifício de Serra


A relutância do governador José Serra em assumir sua candidatura à Presidência não é jogo de cena nem estratégia eleitoral. O fato é que, apesar de termos passado todo esse tempo vendo manchetes sobre como ele seria eleitoralmente forte, disputar com a candidata de Lula a sucessão presidencial será quase um suicídio para o tucano.
Pode parecer surpreendente uma afirmação dessas, mas isso só porque o Brasil tem sido vítima de uma impostura estatística digna da Alemanha nazista, em termos de se enrolar o público sobre as candidaturas a presidente no ano que vem.
Essas manchetes e análises que passamos o ano lendo nas Folhas e Vejas da vida dando conta das “grandes” possibilidades de Serra se eleger presidente e decretando que a candidatura de Dilma Rousseff seria um fracasso valeram-se do fato de o tucano ser conhecido pelo eleitorado e de a candidata de Lula ser desconhecida.
Por envergar o figurino anti-Lula Lula da vez devido à sua movimentação política de 2002 para cá, Serra já partia de uma intenção de voto consolidada por aqueles setores da sociedade que estão organizados desde 1º de janeiro de 2003 contra o atual governo.
Só um jornalista totalmente inexperiente – ou muito mal-intencionado – poderia ver qualquer tendência de não decolar eleitoralmente a pessoa escolhida por Lula para sucedê-lo, para suceder simplesmente o presidente mais popular que o Brasil já teve e com o apoio explícito e engajado deste.
A falta de lógica na premissa de que um povo fortemente satisfeito com seu governo não apoiaria a continuidade desse governo é tamanha que não consigo conceber que os experientes jornalistas de uma Globo ou de uma Folha ou de uma Veja ou de seus similares tenham sequer chegado perto de acreditar nela.
Agora, porém, as coisas começam a ficar mais claras, sobretudo porque os números que faziam insinuações já começam a gritar, aqui e ali.
A despeito de a lógica vir dizendo faz tempo que a intenção de voto ainda majoritária de Serra não era mais do que conjuntural e tendente a ser revertida, quem vi destacando primeiro o indício mais gritante do potencial da candidatura Dilma foi o blogueiro carioca Miguel do Rosário.
Em seu blog “Óleo do Diabo”, meses atrás, Miguel chamou atenção para o fato de as intenções de voto em Dilma estarem, desde então, mostrando-se maiores nas classes sociais mais altas do que naquelas que dão maior apoio a Lula, que todos sabem que são as mais baixas.
Essa tendência passou a gritar, agora. Dilma já lidera as pesquisas espontâneas (quando o entrevistado diz o nome de seu candidato sem ser estimulado por nomes mostrados pelo entrevistador) sobre a sucessão presidencial junto às classes A e B.
Não creio que haverá muitas dúvidas sérias – e não estou me referindo àqueles que simplesmente se recusam a ver os fatos por partidarismo – de que, entre os mais pobres, quando a campanha estiver na rua Dilma tenderá a aumentar muito seu percentual de intenções de voto.
Com a expressiva queda da distância que separa Dilma de Serra nas pesquisas e sabendo-se que a maioria da sociedade, que não se interessa por política fora dos períodos eleitorais, ainda não pensou sobre a substituição de Lula, fica claro, pois, que o tucano se arriscará demais ao abrir mão de uma reeleição tranqüila em São Paulo – e governar o Estado mais rico do país não é pouco.
Por outro lado, a desistência de Serra seria fatal para a oposição de centro-direita (PSDB e DEM). O ex-PFL está praticamente morto. Desde 2002, vem se desidratando ao ponto de ter tido que mudar de nome para prolongar o processo de apodrecimento da legenda. Já o PSDB, sem um nome forte à sucessão de Lula e com a perspectiva de seus caciques do Norte e Nordeste nem se reelegerem, certamente encolheria muito.
A oposição que hoje está perdida, sem discurso e ultra-radicalizada ainda tem número no Congresso para causar problemas ao governo. Contudo, sem um cabeça-de-chapa em condições de ser o anti-Lula da vez – e, ao menos na próxima eleição, é o que será o candidato que polarizar com o PT –, nem mais isso a oposição terá.
Não sei até que ponto é bom para a democracia que um só grupo político consiga tal hegemonia, mas há que ressaltar que, se ela se concretizar, decorrerá não da ação do governo Lula e das forças que o apóiam, mas da estratégia burra e autoritária de seus adversários.
Desde a eleição de 2006, a centro-direita e seus jornais, rádios, televisões etc. deveriam ter entendido o recado das urnas, mas se recusaram a fazê-lo. Se tivessem mais cérebro e menos fígado, os Marinhos, os Civitas, os Frias, os Mesquita, o Serra e o FHC teriam percebido que o povo lhes disse que não acreditava neles.
Foram dois anos (2005 e 2006) de noticiário massacrante e incessante em todos os meios de comunicação de massa. A mídia fez tudo que era possível e até o impossível para destruir Lula e o PT, subvertendo leis, promovendo censura do contraditório, inventando notícias etc. Ao fim de 2006, o povo foi às urnas e disse que não acreditava nessa mídia e reelegeu aquele que ela pintou como um bandido.
A partir dali é que deveria ter começado uma estratégia que só de alguns poucos meses para cá temos visto a mídia adotar, a estratégia de tentar afetar “isenção”. Hoje, por exemplo, a Folha volta a dizer que não é bom que os tucanos governem São Paulo por tanto tempo, tem o “mensalão do DEM” (só agora) e as críticas ao prefeito Gilberto Kassab, títere de Serra.
Devo dizer que mal consigo acreditar que os donos desses grandes impérios de comunicação tenham achado que ninguém notaria que eles atacavam só um lado e protegiam o outro de uma forma absolutamente suspeita, pois os erros do grupo político que o país alijou do poder em 2002 jamais foram aceitos pela mídia e os acertos inegáveis deste governo foram todos negados sistematicamente
Apesar da enorme desaprovação de FHC, a mídia continuou tecendo loas a ele e este continuou avalizando Lula como seu antípoda ao confrontá-lo ruidosamente, porque, vaidoso, não podia e não pode aceitar que seu nome fique na história como o de um mau governante enquanto um “peão” se torna um estadista para a posteridade.
Voltando, pois, ao tema central deste texto, concluo que Serra não tem mais como recuar. Terá que ir para o sacrifício disputando a eleição do ano que vem com a candidata de Lula para manter a oposição viva. Aécio Neves seria um fiasco ainda maior, em minha opinião. É um mero cacique regional que não vejo deslanchar.


DEPOIS DO LE MONDE, AGORA É A VEZ DO FINANCAL TIMES SE RENDER A LULA.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi escolhido pelo jornal britânico Financial Times como uma das 50 personalidades que moldaram a última década.
Segundo o diário, Lula entrou na lista porque "é o líder mais popular da história do Brasil".
Charme e habilidade política sem dúvida contribuem (para sua popularidade), assim como a baixa inflação e programas de transferência de renda baratos, mas eficientes", diz o jornal.
"Muitos, inclusive o FMI, esperam que o Brasil se torne a quinta maior economia do mundo até 2020, trazendo uma mudança duradoura na ordem mundial." Ainda no campo da política, o FT também destaca como as personalidades mais influentes da década o presidente do Irã, Mahmoud Ahamadinejad; o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama; a chanceler alemã Angela Merkel; o ex-presidente e atual primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin; e o presidente da China, Hu Jintao.
O jornal selecionou também o que chamou de "alguns vilões" que acabaram por determinar o curso da história destes últimos dez anos, como o líder da rede Al-Qaeda, Osama Bin Laden, e o ex-presidente americano George W. Bush.
A lista do FT também inclui personalidades das áreas de negócios, economia e cultura. Muitas delas refletem o crescimento e o fortalecimento da internet e das novas tecnologias, como os empresários Jeff Bezos, da loja virtual Amazon; Meg Whitman, do eBay; Larry Page e Sergey Brin, do Google; Jack Dorsey, Biz Stone e Evan Williams, do Twitter; Mark Zuckerberg, do Facebook; e Steve Jobs, da Apple.
Outras figuras foram eleitas pelo jornal britânico pelo mérito pessoal de terem se tornado ícones mundiais em suas áreas, como a escritora JK Rowling, autora dos livros do personagem Harry Potter; o jogador de golfe Tiger Woods; a apresentadora americana Oprah Winfrey; o diretor japonês de desenhos animados Hayao Miyazaki; o produtor de TV John De Mol, criador da fórmula do Big Brother; e os astros da música Beyoncé e Jay-Z.
BBC Brasil/Blog da Dilma
 
Pescado do Blogão do Pereira

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Dantas cerca De Sanctis para escolher juiz

De Sanctis dá orgulho aos brasileiros
De Sanctis dá orgulho aos brasileiros
Por medida de higiene, o Conversa Afiada não lê a publicação “Conjur”.
Seu proprietário faz farte do “Sistema Dantas de Comunicação” , e acumula a propriedade de um “órgão de imprensa” com a de uma empresa de relações públicas.
Além disso, ele é amigo pessoal do Supremo Presidente do Supremo, a ponto de lançar uma publicação comercial de sua empresa no salão nobre do Supremo.
Viva o Brasil !
Mas, um amigo navegante se dedicou nos últimos tempos a acompanhar a perseguição ao corajoso Juiz Fausto De Sanctis
através das páginas poluídas do “Conjur”.
A Justiça brasileira desfechou um ataque frontal ao corajoso Juiz De Sanctis que só pode ter um objetivo: desmoralizá-lo.
Desmoralizar De Sanctis vai significar retirá-lo do julgamento da Operação Satiagraha.
E, com isso, permitir que, em última análise, Daniel Dantas, o passador de bola apanhado (por De Sanctis) no ato de passar bola, realize o sonho de todo criminosos: escolher quem vai julgá-lo.
Por extensão, a desmoralização de De Sanctis significará a desmoralização da primeira instância em crimes de colarinho branco.
E o  Brasil terá uma estrutura jurídica muito parecida com aquela com que sempre  sonhou o Supremo Presidente do Supremo: só quem julga crime de rico é o Supremo.
Rico é assunto muito sério para ficar na mão de juizeco de primeira instância.
Vamos ao cerco a De Sanctis, segundo a minuciosa leitura do meu amigo navegante.
Dantas, o passador de bola apanhado no ato de passar bola, não recorreu imediatamente da condenação que De Sanctis lhe impôs por passar bola a um agente federal.
Um ano e meio depois, no dia 3 de setembro de 2009, Dantas entrou com um HC para afastar De Sanctis: trata-se de um juiz “parcial”.
Ou seja, para Daniel Dantas, o passador de bola, juiz que o condena é “parcial”.
O Ministério Público Federal pediu vistas no dia 14 de setembro.
Rapidamente, no dia 25 de setembro, o MPF considera que o pedido de Dantas que arguia a parcialidade de De Sanctis não tinha nenhum cabimento.
Às 20H52 do dia 18 de dezembro, um dia antes do recesso do Judiciário, o STJ dá a liminar a Dantas.
Ou seja, neste momento, toda a investigação a partir da Satiagraha está parada.
A Polícia Federal parou.
A Justiça parou.
Só quem se mexe é Dantas, o passador de bola.
Até que se julgue, em definitivo, se De Sanctis é “parcial” ou não.
Se, em última instância, De Sanctis for considerado “parcial”, a Satiagraha será extinta.
Porque toda ela será fruto de uma “parcialidade”.
Ou seja, o fruto podre contaminou toda a árvore.
Sumirá no espaço, como se fosse uma bolha de sabão.
E Daniel Dantas voltará aos salões da República, como um herói da Pátria – e de todos os partidos.
E De Sanctis será tratado como um excêntrico, uma aberração: um Juiz que manda prender rico, branco e de olhos azuis.
Onde já se viu isso ?
Onde nós estamos ?
Quem ousa importunar o “brilhante” Dantas, na opinião de Fernando Henrique Cardoso ?
Condenar quem mereceu dois HCs de Gilmar Dantas (*) em 48 horas ?
Será possível uma vergonha dessas, amigo navegante ?
Será que o Brasil  vai engolir essa patranha em seco ?
Bem, já engoliu coisa parecida e nada aconteceu.
O Ministro do Supremo Eros Grau tomou de De Sanctis todas as provas da Satiagraha que tenham sido extraídas de HDS, CDs, medias e pen-drives.
Não só as medias encontradas na casa e no banco de Dantas,  mas também o farto material de propriedade do notório empresário Roberto Amaral, também indiciado por De Sanctis.
Amaral, esse, que sabe coisas do arco da velha …
Ou seja, o Supremo, agora, tem o câncer da República nas mãos.
Só o Supremo sabe quem Dantas seduziu – seja para investir ilegalmente em seus fundos, seja para participar de “mensalões”.
Foi uma violência sem precedentes.
Retirar as provas de dentro de um inquérito criminal.
Viva o  Brasil !
Mas, como afastar um juiz por “parcialidade” ?
Isso é muito difícil, pensará o amigo navegante.
Não, amigo navegante, no Brasil isso é mamão com açúcar.
Os advogados de Boris Berezovsky, o mafioso russo que comprou o Corinthians, já afastaram o juiz De Sanctis.
Com a ajuda do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Regional Federal de São Paulo eles mandaram De Sanctis apitar na segundona.
Que argumento usaram ?
Ora, amigo navegante, que pergunta ingênua.
Porque o corajoso Juiz Fausto de Sanctis foi “parcial”.
Ele é assim mesmo, muito “parcial”: tem a mania de prender rico.
Bastou uma simples liminar e uma Juíza, a Dra. Cecilia Mello que, por acaso, costuma tomar decisões que coincidem com os interesses de Daniel Dantas, expulsou De Sanctis do julgamento de Berezovsky.
Quem manda querer prender o Berezovsky, logo ele, que contratou José Dirceu para representá-lo no Brasil ?
(É bom não esquecer que na Satiagraha e no Corinthians se encontraram De Sanctis e o ínclito delegado Protógenes Queiroz. Queiroz acompanha Dirceu de lá à Satiagraha …)
No caso do Corinthians, a desmoralização de De Sanctis foi completa.
Ele foi destituído NA MESMA HORA  em que ouvia testemunhas sobre o Corinthians.
Quer dizer, os juízes do TRF-São Paulo não tiveram a gentileza de esperar ele acabar de ouvir a testemunha.
Ele saiu do processo no meio da audiência …
Para a felicidade dos advogados de Berezovsky.
(Um deles, o notório Dr Toron, aquele que não aceita algema nem em pobre, preto ou p…, também defende Dantas.)
Se a Justiça decidir que De Sanctis não pode julgar a Satiagraha porque é “parcial”, ficarão suspensas as  investigações que De Sanctis pediu à Polícia Federal, depois de condenar Dantas a 10 anos de cadeia.
Neste momento, uma dessas investigações – a sobre os cotistas do Banco Opportunity – avança a passos rápidos e muita gente graúda já caiu na rede.
GRAÚDA !
Outra investigação que começaria a marchar no início de 2010 seria sobre as fazendas de gado de Dantas, que, segundo o ínclito delegado Protógenes Queiroz, são uma fachada para explorar riquezas minerais no Pará.
A investigação que não andou um centímetro foi a sobre a “BrOi”.
Mas, aí, há de se convir que o diretor geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Correa, se notabiliza por uma aguçada sensibilidade política.
E, se depender dele, a investigação sobre a “BrOi” andará com a rapidez com que o Pão de Açúcar se desloca na Baia de Guanabara.
O Brasil se aproxima do Estado ideal da impunidade.
(Nos Estados Unidos, o Madoff está na cadeia para cumprir 190 anos …)
De Sanctis não julga o Berezovsky.
Extingue-se a Satiagraha.
Por extensão – ou por conta da mesma “parcialidade” -,  extingue-se também a “Operação Castelo de Areia”, em que De Sanctis meteu o dedo no câncer da empreitagem nacional.
E, cedo ou tarde, se extingue também a punição ao banqueiro  Edemar Cid Ferreira, que De Sanctis teve a infeliz idéia de prender e mandar buscar as obras de arte que colecionava.
Esse De Sanctis, francamente.
Banqueiros, mafioso russos, Daniel Dantas – isso é coisa para o Supremo.
A primeira instância não tem nada a ver com isso.
O Supremo já decidiu que os brancos e ricos tem acesso irrestrito asa investigações.
O Brasil é o único país do mundo em que bandido sabe o que a Justiça e a Polícia vão fazer e quem vão ouvir.
O amigo navegante não acredita ?
É isso mesmo.
É o que se chama de Golpe de Estado da Direita.
É isso mesmo.
Bandido sabe quem o Juiz vai ouvir.
Chega lá, aperta o parafuso, e a testemunha chega mansinha diante do Juiz …
Viva o Brasil !
Quer dizer: se Daniel Dantas agora começar a escolher juiz, não se espante.
Dantas é o dono do Brasil, como disse a Carta Capital.
E o De Sanctis ?
O De Sanctis é um brasileiro que nos dá orgulho !
Paulo Henrique Amorim

IMPRENSA ( PIG ) x INTERNET / REDES SOCIAIS

MONTEIRO LOBATO previu em seu livro editado em 1926 na 1ª edição “ O CHOQUE “ depois nas outras edições “ O PRESIDENTE NEGRO “ a queda da grande imprensa ( PIG ) com a grande descoberta INTERNET E SUAS REDES SOCIAIS ( Radiotransporte ) motivo porque hoje querem cortar o acesso ao povo!!! Na pagina 118 deste livro ele escreve ..... .... naquela data de 1926:
– Sim, mas jornais nada relembrativos dos de hoje. Eram radiados e impressos em caracteres luminosos num quadro mural existente em todas as casas.
- E os cegos?
- O cego ficou para trás. Cegueira, mudez, surdez, estupidez, tudo isso não passava de reminiscências de um tempo de que os homens sorriam com piedade.
O rádio que temos hoje é um ponto de partida. Vale como valem para a eletricidade moderna as primeiras experiências de Volta. Descobriram-se novas ondas, e o transporte da palavra, do som e da imagem, do perfume e das finas sensações táteis passou a ser por intermédio delas. A conseqüência lógica foi uma transformação da vida. Pelo sistema atual vai o homem para o serviço, para o teatro, para o concerto – um ir-e-vir que constitui um enorme desperdício de energia e é o criador dos milhões de veículos atravancadores do espaço, bondes, autos, bicicletas, trens, aviões e outros. Com a fecunda descoberta das ondas hertzianas e afins, e sua conseqüente escravização aos interesses do homem, o ir-e-vir forçado se reduziu à escala mínima. O serviço, o teatro, o concerto é que passaram a vir ao encontro do homem. Foi espantosa a transformação das condições do mundo quando a maior parte das tarefas industriais e comerciais começou a ser feita de longe pelo radiotransporte. Para dar uma idéia do que isso representava de economia de esforço e tempo, basta vermos o que o jornal de Miss Elvin. Pelo sistema atual, o colaborador ou escreve em casa o seu tópico ou vai escrevê-lo na redação; depois de escrito, passa ao compositor; este compõe e passa-o ao formista; este o enforma e passa-o ao tirador de provas; este tira as provas e manda-o ao revisor; este o revê e envia-o ao corretor; este faz as emendas e... e a coisa não acaba mais! É uma cadeia de incontáveis elos, isto dentro das oficinas, pois que o jornal na rua dá início à nova cadeia que desfecha no leitor – correio, agentes, entregadores, vendedores, o diabo.
- Já estive numa oficina de jornal e sei o que é isso. Puro inferno...
- Pois toda esta complicação desapareceu. Cada colaborador do Remember radiava de sua casa, numa certa hora, o seu artigo, e imediatamente suas idéias surgiam e impressas em caracteres luminosos na casa dos assinantes.
- Que maravilha!...
- Sim, não houve indústria que como a do jornal não sofresse a influência simplificadora do radiotransporte – e isso tirou ao viver quotidiano a sua velha feição de atropelo e tumulto.
As ruas tornaram-se amáveis, limpas e muito mansas de tráfego. Por elas deslizavam ainda veículos, mas raros, como outrora nas velhas cidades provincianas de pouca vida comercial. O homem tomou gosto no andar a pé e perdeu os seus hábitos antigos de pressa. Verificou que a pressa é índice apenas de uma organização defeituosa e antinatural. A natureza não criou a pressa. Tudo nela é sossegado. Parece coisa muito evidente isto; no entanto foi a maior descoberta que fez o povo mais apressado do mundo...
- Realmente! – exclamei, chocado pelo imprevisto daquele aspecto futuro. – eu que por assim dizer moro na rua, só com este quadro da rua futura já me estou assombrando com o horror da rua moderna. E, no entanto, se Miss Jane nada me revelasse continuaria a ter muito natural o tumulto de hoje....
- O hábito não nos deixa ver os defeitos, e daí a vantagem de convulsões como a de Miss Elvin. O grande obstáculo ao progresso sempre foi o hábito, a idéia feita, a preguiça de constante exame do único problema material da vida – o transporte.
- Único?
- Sim, único. Tudo é transporte na vida, senhor Ayrton, e o tumulto de hoje vem imperfeições dos nossos sistemas de transporte. Tudo é transporte! A minha voz transporta idéias do meu cérebro para o seu. Esse livro que o senhor tem nas mãos é um sistema de transporte de i,pressões mentais. Que faz a firma Sá, Pato & Cia, senão transportar mercadorias de um lado para o outro, com o fim último de transportar para as burras dos sócios o dinheiro dos clientes? E que é o dinheiro senão um maravilhoso e engenhosíssimo meio de transporte?
- Por isso são as moedas redondas.....
- Rodinhas... O homem deu o primeiro grande passo em matéria de transporte com a invenção da roda. Mas ficou nisso. Repare que a nossa civilização industrial se cifra em desenvolver a roda e extrair dela todas as possibilidades. Daqui a séculos quando possível ao homem uma ampla visão do seu panorama histórico, todo este período que vem do albor da história até nós vai prolongar-se por muitas gerações receberá o nome de Era da Roda. Mas do ano 2200 em diante começará o seu declínio.......
 

Baianos querem Waldir Pires no Senado

 
Há poucos dias, deputados federais do PT da Bahia defenderam a candidatura do ex-governador, ex-ministro da Previdência, ex-ministro da Defesa, , ex-consultor geral da República, ex-controlador geral da União e ex-deputado federal Waldir Pires para uma candidatura ao Senado. Waldir Pires já ocupou todo tipo de cargo público na vida, menos como senador, porque durante o domínio carlista na Bahia, ele foi vítima de fraude eleitoral. Todo mundo sabe disso. Em 1994, os votos brancos e nulos começaram a desaparecer das urnas. Uma recontagem foi pedida e negada. O tribunal consagrava a fraude. Seria mais que justo Waldir Pires no Senado, até porque aquela instituição anda decaída com os senadores picaretas que tem.

Seria um alento para o Brasil se Waldir Pires fosse eleito senador da República. Há esse sentimento na base do PT, em vários partidos políticos e na sociedade esclarecida. A tarefa é grandiosa. O Brasil precisa construir sua democracia, produzir transformações sociais profundas, impor-se ao mundo globalizado. Waldir Pires tem consciência de que com Lula o processo avançou, mas, sobretudo, sabe que já não basta democracia num só país. No Brasil e no mundo ainda se morre de fome. Ele cita os 70 milhões de empobrecidos nos EUA. Daí valorizar muito o governo Lula, para ele, mais importante que o de Getúlio Vargas, por estar sendo um governo de distribuição de renda e combate às desigualdades sociais.

Waldir Pires senador será bom para a Bahia, o Brasil e o mundo. É mais importante que uma simples aliança eleitoral.
 Fonte: Bahia de Fato 

domingo, 27 de dezembro de 2009

Lula traz popularidade recorde ao PT

De José Roberto de Toledo - Estadão:
O PT entra no ano eleitoral de 2010 como a maior popularidade de sua história. Um em cada quatro eleitores brasileiros diz ter preferência pelo Partido dos Trabalhadores.
É o maior porcentual de simpatia alcançado por qualquer agremiação partidária nacional nos últimos 20 anos. E a razão desse neopetismo é a boa avaliação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Levantamento feito pelo Estado com base em pesquisas Datafolha desde 1989 mostra que, nas últimas duas décadas, o PT multiplicou por quatro a sua área de influência: saiu de 6% para 25% de preferência entre os eleitores brasileiros.
Mas foi um caminho com muitos altos e baixos. Nem sempre a popularidade se transformou em votos para a legenda.
Na primeira década após a retomada das eleições diretas para presidente da República, o PT foi o maior favorecido pela dramática perda de popularidade do governo Collor.
O impeachment do presidente que havia derrotado Lula em 1989 criou uma imagem para parte do eleitorado de que os petistas eram fiscais da corrupção. A sigla chegou a 17% de preferência em dezembro de 1992, tecnicamente empatada com o PMDB (19%), então o partido mais popular do País.
Sob efeito das manifestações de rua dos cara-pintadas e com esperança renovada na política, mais brasileiros do que em qualquer outra época recente declaravam ter simpatia por alguma agremiação partidária, fosse ela qual fosse: 58%.
O período seguinte, porém, foi de refluxo para todos os partidos, com exceção do PSDB.
A recusa em participar do governo de Itamar Franco e a aposta no fracasso do Plano Real custaram ao PT uma regressão a apenas 9% das preferências em dezembro de 1994.
A partir daí, os tucanos se consolidariam como a terceira legenda em popularidade, embora não tenham conseguido usar o governo FHC para ultrapassar a barreira dos 6% de preferência.
Após a reeleição de Fernando Henrique Cardoso e a imediata desvalorização do real, em 1999, o PT voltou a crescer no imaginário do eleitorado. E, pela primeira vez, ultrapassou o PMDB na preferência partidária.
Após alguns solavancos nos meses seguintes, o partido entrou no novo século com 21% de citações e dez pontos a mais que o segundo colocado.
A eleição de Lula em 2002 e a posterior implantação de programas populares de combate à fome e disseminação do crédito renderam ao PT seu patamar mais alto de preferência até então - 24% de citações em dezembro de 2004. Aí vieram os escândalos de corrupção envolvendo o partido.
O mensalão, em 2005, e os "aloprados" petistas em 2006, às vésperas do 1º turno da sucessão presidencial, fizeram despencar a popularidade do PT, que bateu em 16% em setembro daquele ano.
Mas a desilusão dos eleitores foi tão grande que ninguém se beneficiou da queda. Nesse mesmo mês, dois em cada três brasileiros diziam não ter preferência partidária, um novo recorde de desinteresse pela política.
Desde então, o segundo mandato de Lula foi marcado, no imaginário do eleitor, por uma onda econômica que permitiu a queda do desemprego, o aumento exponencial do consumo das classes C e D e a superação da crise financeira mundial de maneira inédita pelo Brasil.
Os recordes de popularidade do presidente e de seu governo foram acompanhados pela recuperação da preferência pelo PT.
O partido parece ter ficado imune ao desgaste de novas acusações de corrupção. Cresceu nove pontos em três anos e bateu o recorde de preferência partidária das últimas duas décadas.
Foi ajudado pela inércia dos adversários. O PFL, mesmo virando DEM, viu sua preferência, em 20 anos, minguar de 4% para 1%. O PSDB não passou de 8%, mesmo patamar do PMDB.
Embora seja um capital importante, o crescimento não é garantia de sucesso automático nas eleições de 2010.
Os neopetistas são os mais entusiasmados com o governo, mas muitos mostram alto grau de desconexão com o partido. A dez meses da eleição, só 14% dos que declaram preferência pelo PT afirmaram espontaneamente que pretendem votar na petista Dilma Rousseff para presidente.
Depois de serem apresentados aos nomes dos presidenciáveis, esse porcentual subiu para 44%. Ainda assim, há 23% que preferem o tucano José Serra, 13% que vão de Ciro Gomes (PSB) e 8% que citam Marina Silva (PV).
Entre agosto e dezembro, a intenção de voto dos petistas na ministra cresceu de 8% para 14% na espontânea e de 36% para 44% na estimulada. Para Dilma, ainda há mais da metade de simpatizantes do partido a conquistar. Eles são o caminho mais rápido para incrementar a sua posição nas pesquisas. 
José Roberto de Toledo é jornalista especializado em reportagens com uso de estatísticas e coordenador da Abraji

Fonte: Desabafo Brasil

WAGNER LIDERA PESQUISA DATAFOLHA. EM QUALQUER CENÁRIO.

DilmaeWagner
(transcrito do Blog do Noblat)
“Wagner está na frente na Bahia
O atual governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), lidera as intenções de voto para a sucessão estadual em todos os cenários pesquisados pelo Datafolha, com índices que vão de 39% a 43%. Seu principal adversário até o momento é o ex-governador Paulo Souto, do DEM, que varia de 22% a 25%.
O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), que rompeu sua aliança com o governador em julho, tem de 10% a 13%.
 No principal cenário:
 Wagner tem 39%
Paulo Souto -  24% de Souto
Geddel -  11% l
Hilton  (PSOL).
 A margem de erro é de três pontos percentuais.
Geddel sempre fica em terceiro lugar quando Souto é o candidato do DEM, mas aparece tecnicamente empatado em segundo quando o candidato dos Democratas é o deputado ACM Neto.
Nesse caso, Wagner chega a 43%, contra 14% de ACM Neto e 13% de Geddel.”
 Antônio do Carmo

Salário mínimo com Lula é o maior em 3 décadas; como há 50 anos, a UDN não quer o aumento


Os corvos tramavam contra o salário mínimo de Vargas; são os mesmo que reclamam agora de Lula

No início de 1954, Jango (que era, então, o Ministro do Trabalho de Getúlio Vargas) propôs aumento de 100% para o salário mínimo.
A UDN (partido da direita, forte entre as classes médias no Rio e em São Paulo) se agitou. Os militares também se agitaram: como podia um operário ganhar tanto quanto um tenente? A pressão foi tanta que Jango perdeu o cargo. Alguns meses depois, sob acusações de todos os lados, Vargas perderia a vida, metendo uma bala no peito.
Veja o que o site da FGV informa sobre o episódio do salário mínimo -
http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/Jango/artigos/NoGovernoGV/Salario_minimo_e_saida_do_ministerio_do_trabalho:
“Os principais lances da crise são úteis para se dimensionar o montante da articulação oposicionista, e que se concluiria com o episódio do suicídio de Vargas, em agosto do mesmo ano. O ministro da Fazenda,
Oswaldo Aranha manifestou sua total contrariedade à proposta, secundado pelos membros da "banda de música" da União Democrática Nacional (UDN) – parlamentares que faziam muito barulho no Parlamento, sempre atacando Vargas. As acusações não eram novas, mas ganhavam virulência ante o desmedido da proposta em causa. Jango era um "manipulador da classe operária", "um estimulador de greves", "um amigo dos comunistas", que tinha como plano a implantação, naturalmente com o assentimento de Vargas, de uma "república sindicalista" no Brasil. Alimentando tais ataques havia um outro. O de que Vargas mantinha conversações secretas com Juan Perón, presidente da Argentina, no sentido da formação do chamado Pacto ABC – Argentina, Brasil, Chile – com evidentes contornos anti-americanos e tendências "socializantes". Uma mistura explosiva de má condução da política interna e externa, capaz de justificar até mesmo um pedido de impedimento do presidente.”

Alguma semelhança com as acusações contra Lula?

Lula – hoje - é acusado de conduzir uma política de integração com viés anti-EUA. A mesma acusação que pesava contra Vargas. Com relação ao mínimo, situação idêntica.
A UDN continua onde sempre esteve. A UDN – hoje, como há 55 anos - não quer aumento de salário mínimo: R$ 510 é a proposta de Lula para 2010.
Ainda zonzo, depois de uma viagem de 14 horas de carro (entre São Paulo e Florianópolis), eu tomava café no hotel agora cedo, e assistia ao “Bom (?) Dia, Brasil”. Alexandre Garcia desfilava ironia (ele se acha engraçado) diante da proposta de aumento. Frisava que isso vai ocorrer em “ano eleitoral”. A UDN não quer pobre ganhando mais. Ainda mais em ano eleitoral. Isso fere os brios da UDN.
Verdade que a UDN que depende de voto (PSDB e DEM) não pode berrar contra o salário mínimo de R$ 510. Aí, sobra para o partido da imprensa.
A banda de música do Alexandre Garcia esqueceu de informar ao dileto público que a política de reajuste ao salário mínimo não depende só de “canetada” do presidente em ano eleitoral. Não. O governo Lula adotou uma política consistente (e permanente) de recuperação do mínimo. Reajuste real é concedido, sempre, com base no crescimento do PIB de dois anos antes. Lula tem meta para o mínimo. A UDN demotucana só tinha meta para inflação. Fazer o que... E ainda dizem que Lula “tem sorte”. He, He.
Não é sorte. São escolhas.
A política de Lula é muito mais consistente do que a canetada de Jango. É consistente. Isso apavora a UDN e sua banda de música na Globo.
Não é só o despeito com o pobre que ganha mais. É todo um ideário liberal que afunda.
Durante 15 anos, como repórter, cansei de entrevistar “consultores” e “economistas” que defendiam: o Brasil precisa fazer a “lição de casa”. Os anos 90 foram assim: “lição de casa”! Eu tinha engulhos a cada vez que ouvia essa expressão. Perdi a conta de quantas vezes isso foi ao ar na TV brasileira – como uma pobre metáfora de nossa subserviência...
A turma da “lição de casa” pregava: “superávit primário”, “controle dos gastos públicos”, “autonomia do Banco Central” (como se o BC fosse uma instituição acima do governo, quando ele é mantido com nossos impostos, e deve estar subordinado ao governo de turno) etc etc etc.
Isso tudo virou lixo depois da crise de 2008.
No primeiro mandato, Lula ampliou um pouco os gastos sociais (“esmola”, diziam), mas manteve a ortodoxia na economia.
No segundo mandato, livre de Paloccci, o governo ampliou sua atuação como indutor do desenvolvimento. Mantega conduz uma política livre das amarras da turma da “lição de casa”.
Hoje mesmo, véspera de Natal, Mantega está nos jornais a dizer que Banco Central não precisa ser autônomo, coisa nenhuma!
A turma da “lição de casa” não gosta disso.
A turma da “lição de casa” não gosta de Keynes. O sábio economista dizia (groso modo, perdoem minha simplificação) que a equação da economia se resolve quase sempre pela demanda, não pela oferta. Se há crise, estimule-se a demanda, e a roda volta a girar.
Foi o que Mantega fez em 2008 – com isenção fiscal para carros, linha branca etc. Lula também pediu aos pobres que seguissem comprando. E deu certo.
Deu certo porque Lula havia criado as bases de um imenso mercado interno de consumo: “bolsa-família”, salário mínimo com ganho real, reajuste para funcionalismo...
Tudo isso contraria a cartilha da “lição de casa”.
Vejam: o governo (com Mantega, no meio da crise) adotou políticas de isenção de impostos (“populismo” berraram alguns colunistas), e ainda assim a arrecadação voltou a crescer. Número de novembro indica aumento de 26% em relação a novembro de 2008 - http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u670008.shtml.
A turma que torce pela “deterioração das contas públicas” não deve estar entendendo nada.
Lula fingiu adotar a política fernandista. Mas superou essa política, sem alarde.
Lula fez o que Celso Furtado e Maria da Conceição Tavares pregaram durante anos e anos! Lula construiu um mercado interno de verdade.
Serra – que não é tonto, e não é um “liberalóide” radical – sabe que não pode fazer campanha pregando “controle dos gastos públicos”. Isso servia para enganar a turma nos anos 90. O Brasil mudou. E o Serra sabe disso. Mas o Alexandre Garcia (com a turma mais tosca da UDN) não sabe.
Nem Obama mais acredita na doutrina liberal. Obama salvou a GM e alguns bancos com grana pública. Obama não fez a “lição de casa”?
Só a banda de música (na Globo e em alguns jornais) ainda segue a velha cartilha. É o passado, que se recusa a passar.
O passado será atropelado pelos fatos.
Ainda mais quando lemos que – com o reajuste para R$ 510 – o mínimo vai atingir o maior patamar em quase 3 décadas.
Lula colocou o capitalismo brasileiro em novo patamar. Os toscos capitalistas (ou aqueles que pensam representar os capitalistas, nas telas e nos jornais) não perceberam.
Dessa vez, a UDN vai ficar falando sozinha.
O suicídio dessa vez virá do outro lado. É a UDN que vai meter uma bala no peito se continuar se recusando a enxergar a realidade.
Azar da UDN.
PTB e PSD – se tiverem juízo – seguirão juntos, isolando a direita e mantendo o Brasil na rota do crescimento. Isso apesar de todos os problemas e insuficiências do governo Lula. É preciso – sim – fazer a crítica do governo Lula, pela esquerda. Mas sempre reconhecendo seus avanços.
Tudo leva a crer que Lula não vai se igualar a Getúlio. Não. Vai é superá-lo. Sem golpe, sem bala no peito. Tudo no voto.
É demais para a UDN. Coitadinha...
O ESCREVINHADOR/Rodrigo Viana

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Já está em vigor a Política Nacional para População em Situação de Rua

Nesta sexta-feira, 25 de dezembro, não li jornais. Eles me dão enjôo. Mas é impossível não conferir as notícias na Internet, de preferência na Agência Brasil. De uns tempos prá cá passei a dar preferência ao noticiário oficial, chapa-branca, por absoluta desconfiança da mídia nacional.

E o que a Agência Brasil informa? Informa que no dia 24 de dezembro foi publicado no Diário Oficial da União a Política Nacional para a População em Situação de Rua, anunciada um dia antes pelo presidente Lula. Isso tem a impressão digital do ministro Patrus Ananias. A Política Nacional pretende assegurar aos moradores de rua, sem-teto, mendigos, pessoas empobrecidas, o acesso á saúde, educação, previdência social, assistência social, trabalho, renda, moradia, cultura, esporte e lazer.

Não é que estes direitos vão aparecer por passe de mágica. São medidas para defender estes direitos. Naturalmente, há todo um caminho a percorrer. Evidentemente muito melhor que o Brasil de Carlos Lacerda, da UDN, quando os mendigos foram jogados no rio, literalmente. Ou expulsos das ruas como no governo tucano de José Serra.

O presidente Lula anunciou várias medidas para "tornar visível" o enorme contingente de moradores de rua do país e defender seus direitos. "Vamos fazer um estudo de suas necessidades, para colocá-las no papel e para ver se, no espaço mais curto de tempo possível, poderemos atender suas reivindicações", disse ele, num ato que reuniu catadores de lixo, em São Paulo.

O decreto, assinado dia 23 de dezembro pelo presidente Lula determina a formação e a capacitação permanente de profissionais e gestores para o desenvolvimento de políticas públicas. Cria ainda canais de comunicação para o recebimento de denúncias de violência contra essas pessoas.

O decreto estabelece a produção, a sistematização e a disseminação de dados e indicadores sociais, econômicos e culturais e o incentivo à pesquisa, produção e divulgação de conhecimentos sobre a população de rua.

A Política Nacional para População em Situação de Rua pretende ainda proporcionar acesso aos benefícios previdenciários e assistenciais e aos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família.

Foi criado o Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Nacional para População em Situação de Rua, com nove representantes, entre titulares e suplentes, sendo cinco de organizações nacionais da população de rua e quatro de entidades que tenham como finalidade o trabalho com moradores de rua.

São responsáveis pela política a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República e os ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, da Justiça, da Saúde, da Educação, das Cidades, do Trabalho e Emprego, do Esporte e da Cultura.

Não é uma boa notícia para este Natal?
 
Oldack Miranda 

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Isso era favela

O Conjunto Residencial abaixo não é um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, para a classe média alta. É habitação popular em Manguinhos, Rio, obra do PAC para as famílias de baixa renda que antes moravam muito precariamente em favela.




A ministra Dilma Rousseff, ao lado do Presidente Lula e do governador Sérgio Cabral na inauguração de residências do PAC, em Manguinhos, para famílias que antes moravam em barracos na favela, sem sequer rede de esgoto. Estas famílias já vão passar o Natal na casa nova.

Obras do PAC como esta repetem-se no Brasil inteiro. Brasília Teimosa em Recife foi reurbanizada, o projeto rio Maranguapinho em Fortaleza, e um infinidade de outras. Onde há prefeitos e governadores com boa vontade para apresentar projetos e convênios, existem soluções como esta.

Venezuela: PSUV inicia campanha para revogar Nobel de Obama

  • O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) dá forma a uma campanha mundial para exigir a revogação do Prêmio Nobel da Paz entregue a Barack Obama, por considerá-lo um guerrerista. De acordo com o agrupamento integrado por mais de sete milhões de cidadãos, o primeiro afro-norte-americano chefe da Casa Branca está bem longe de merecer o galardão fundado em 1901, o qual foi outorgado a 95 pessoas e 20 organizações.

"Achamos que deve ter uma revisão do reconhecimento. É um dever dos países progressistas solicitá-la," assegurou nesta segunda-feira a dirigente do PSUV, Jacqueline Faria, ao anunciar a iniciativa. Segundo ela, a Comissão de Assuntos Internacionais do bloco tem a missão de impulsionar a cruzada.
A justificativa da guerra no Afeganistão, o envio de novas tropas ocupantes a essa nação centro-asiática e o estabelecimento de bases militares na Colômbia e Panamá constituem argumentos para demandar a anulação do Nobel.
"A postura na Cúpula de Mudança Climática de Copenhague, onde Obama atuou como um estrategista mas um estrategista da guerra, teria que ser acrescentada também", apontou. Jacqueline recordou a pretensão norte-americana de impor um pacto excludente no fórum destinado a salvar o planeta, uma proposta ainda por cima carente de ações concretas para avançar na mitigação do lançamento de gases contaminantes responsáveis pelo aumento da temperatura global.
"Obama tem descumprido suas promessas de paz e de mudança", expôs. A convocação do PSUV incluiu um pedido a tomar distância do presidente norte-americano, realizado a anteriores merecedores do Prêmio Nobel da Paz.
Entre os convidados a diferenciar-se de Obama estão a indígena guatemalteca Rigoberta Menchú (1992), a ambientalista e política keniana Wangari Maathai (2004), o ex-presidente dos Estados Unidos James Carter (2002) e o outrora vice-presidente desse país Al Gore (2007).
Fonte: Prensa Latina

MUITO ALÉM DO CANAVIAL

Do jeito que a gente aprende no colégio, o solo massapê é aquele fertilíssimo, ideal para plantar cana de açúcar. A gente só não vê nos livros que esse mesmo plantio pode prender, aprisionar o homem à terra, explorando uma mão de obra que, muitas vezes, não vê outro horizonte que não o monte de terra roxa. Uma sina de muitos pernambucanos. Uma história repetida há séculos na Zona da Mata no estado. Mas Jonas Lopes da Silva, de 24 anos, nascido em Palmares e criado em Joaquim Nabuco, abandonou essa geografia de escravidão.
Deixou para trás essa herança de desesperança. Foi cortador de cana de açúcar ao lado dos pais até os 15 anos de idade. Hoje, aos 24, colhe uma riqueza de verdade: a aprovação no vestibular de medicina da Universidade de Pernambuco, um dos mais concorridos do estado (são 34,15 candidatos disputando uma vaga).
Jonas iniciou e concluiu a educação na rede pública aos 20 anos de idade. Atrasou dois anos em relação à maioria das crianças porque desistiu de estudar. "Eu era briguento e brincalhão. Também um pouco revoltado", justifica Jonas. Deixou de ir à escola na quinta e sexta série do antigo primeiro grau. Tinha em torno de 12 anos. Nesse tempo, andava ao lado da mãe, pelo canavial.
De tanto vê-la derrubar e embolar cana, foi repetir a sina. Trabalhou em condições degradantes, um crime contra os direitos humanos previsto nos artigos 240 e 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). "O sol era escaldante e minhas costas doíam", lembra Jonas, tocando a cicatriz na mão direita.
"Nunca fui obrigado a nada. Mas as coisas eram muito difíceis", lembra. Jonas é o quinto filho de uma prole de sete do pedreiro José Lopes, de 56 anos, e da trabalhadora rural Edileusa Maria, de 50 anos.
Além de Jonas, apenas o caçula da família, Renato, de 20, completou o ensino médio. Outros quatro largaram os estudos para trabalhar. "Minha mãe foi acabada pela cana de açúcar. Foi massacrada pelo destino. Minha avó até hoje se arrepende de ter tirado o sonho dela, de ter tirado ela da escola", conta Jonas.
"Então, quando meu pai me disse que se eu não estudasse, eu iria cortar cana, fiquei danado. Daí para frente disparei. Fui aluno laureado no 1º, 2º e 3º ano", orgulha-se o rapaz, que salvou na memória afetiva, da pracinha de Joaquim Nabuco, os nomes dos professores da época. "Tive Alex, de matemática, e três professoras que foram mães. Dona Eulália, de história, dona Risonete, de português, e Elian, de geografia", recorda.
Foram quatro anos de tentativas, até a aprovação na UPE. Na primeira, em 2006, ainda morando em Joaquim Nabuco, levou ponto de corte. "Senti todas as carências do ensino público aí. Pensei em pedir emprego na prefeitura", afirma. Em 2007, recuperou o "prejuízo". Passou em um concurso do IBGE para ser agente do censo. Realizou o trabalho, mudou-se para Jaboatão (onde mora a irmã mais velha, Márcia) e pagou um curso pré-vestibular com o dinheiro que guardou.
"Eu escutava falar muito de vestibular no rádio. Aí, já sabendo que para a minha condição social passar em medicina era difícil, decidi investir nesse curso, em um colégio famoso da capital", recorda o jovem, criado no bairro de São Miguel, que ele chama de "Coque de Joaquim Nabuco". "As pessoas diziam que eu nunca ia passar porque era pobre". Ele não acreditava nisso, mesmo reprovado pela segunda vez, no vestibular de 2007. "Aprendi a lutar com a dor da minha mãe e com a sabedoria do meu pai. São dois filósofos, apesar da dureza. Sempre ouvi deles que eu deveria me dar bem com Deus e o diabo", reproduz.
Sentindo-se cada dia mais desafiado, Jonas procurou em 2008 um curso de matérias isola das. "O nível de exigência do aluno era maior. Mas era o que eu precisava. Conheci o professor Vieira Filho, fiz teste para uma bolsa 100%, mas só consegui desconto. Eu pagava R$ 190, por cinco disciplinas, ainda com o que sobrou do IBGE", conta o rapaz, que nesse tempo mal se mantinha acordado nas aulas e nos ônibus (quatro por dia). "Sofri em silêncio", desabafa. Jonas ficou na lista de remanejamento, por 13 pontos. Bastaria que duas pessoas desistissem, o que não aconteceu.
Além de aprender biologia, física e química, Jonas teve que aprender a brincar. A exemplo de um dos seus "mestres", o poeta Fernando Pessoa, criou heterônimos. Personagens dele mesmo. Pequenas histórias autobiográficas. O mais conhecido é João, um menino que adora tirar fruta do pé. "Uma vez João me disse para eu não ficar triste. Falou que quando eu passasse, eu ia para casa, comer manga e chupar picolé", brinca Jonas.
"Eu fui fazer as provas este ano de mãos dadas com Deus e João", ressalta. Outra coisa: Jonas nunca brinca sozinho. "Converso com os meus mestres, Franz Kafka, Josué de Castro, Machado de Assis, Mozart, Bach e João Cabral de Melo Neto", cita alguns.
Para encurtar os gastos com as passagens de ônibus, as despesas na casa da irmã e o cansaço, Jonas conseguiu uma vaga na Casa de Estudantes de Pernambuco, no mês de abril deste ano. "O acolhimento foi imediato", declara. "Além disso, fui atrás novamente de uma bolsa integral e consegui, através do professor Fernandinho e companhia", fala Jonas, agradecido como se falasse de "deuses".
Era tudo ou nada este ano. Foi tudo. Jonas conseguiu a aprovação pelo sistema de cotas (que reserva 20% das vagas para alunos egressos da rede pública), com a pontuação 532,25. E foi também o começo. Jonas já faz planos para comprar os primeiros livros (Prometheus, Atlas de Anatomia e Harrison: Medicina Interna) com o dinheiro de um novo concurso do IBGE. Também já apren eu no corredor da UPE que "a arte na medicina às vezes cura, de vez em quando alivia, mas sempre consola".
Ana Braga, no Diário de Pernambuco/blogdoanselmoraposo
Pescado do Blogão do Pereira

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Dilma Rousseff: uma mulher de vitórias.

Por Júnior Miranda - Blog do Junior - Articulista do Blog da Dilma

Se tem uma mulher, nos atuais quadros políticos do país, que representa bem a garra, a força, a determinação das mulheres brasileiras, essa mulher se chama Dilma Rousseff. Mulher que venceu vários obstáculos na vida e chegou aonde chegou: ministra de um dos mais importantes ministérios do Governo Federal. Mulher de fibra, que enfrentou a ditadura militar, que enfrentou e ainda enfrenta o preconceito por sua postura de mulher aguerrida e sem papas na língua.

Dilma representa não apenas a força e a garra da mulher brasileira, e consequentemente do povo brasileiro, mas também a sensibilidade de mãe, de ser humano, de mulher. Dilma que se emociona, que chora ao lembrar-se dos tempos desumanos da ditadura militar que lhe torturou, que tentou tirar-lhe sua dignidade, que tentou calar a sua voz e de muitas outras mulheres e homens destemidos.

Dilma é essa mulher que não se curvou diante da enfermidade, que lutou contra as consequências do câncer, de um árduo tratamento quimioterápico que lhe fez perder fios de cabelos, mas não a ternura, a esperança, a fé em Deus, a confiança na vida.

E agora, após um longo período de inverno, sendo regada pelo carinho do povo brasileiro através das orações e dos pensamentos positivos, Dilma aparece como aquela rosa que desabrocha na primavera, exalando o seu perfume, contagiando com sua beleza e sensibilidade. Dilma, o Brasil precisa de você.

Cumprimentando Lula

O ano está quase terminando. Em alguns dias, entraremos no último período do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Época perfeita para algumas considerações de cunho político que julgo necessárias fazer.
Neste final de 2009, tenho um cumprimento diferente a fazer ao presidente da Repíblica. E não diz respeito aos êxitos do país na economia ou em sua imagem diante do mundo; diz respeito ao seu espírito democrático.
De 2003 para cá, disseram que Lula era alcoólatra (Larry Rohter), que era assassino (desastre com o avião da TAM) e até estuprador (Cesar Benjamin), mas jamais se viu uma retaliação do presidente contra alguém.
Há, claro, o caso impensável de Dilma Rousseff, também, não se pode esquecer. Perícia abalizada detectou que sua ficha policial publicada na capa da Folha de São Paulo, junto a acusação de que teria pretendido cometer o seqüestro de um ministro de Estado durante a ditadura, era falsa como uma nota de três reais.
Mas, no fim, o mais atacado, aquele que foi atacado de forma mais baixa, mais covarde, foi Lula. Sua esposa é ridicularizada o tempo todo. E o presidente é chamado até de “Anta” e nunca sequer cogitou processar alguém.
Será que o mesmo se daria com Serra ou com Kassab? Como é que vamos saber, não é mesmo? Bem, como nunca se sabe, então é bom esperar para ver se não são só os prêmios de Lula ou os seus êxitos administrativos que seus adversários tentam imitar.
Por hora, relembro uma premiação internacional concedida ao presidente da República por seu espírito democrático, que se manifesta no seu respeito reverencial às regras do jogo democrático ao não pleitear um segundo mandato como sempre o acusaram de pretender fazer, e sua convivência serena com excessos inimagináveis de seus adversários e críticos.
Abaixo, reportagem sobre a premiação internacional concedida a Lula em setembro deste ano.






Eduardo Guimarães 
Fonte: Cidadania.com

Agendas servem para...divulgar a poesia baiana.

Antigamente, as tradicionais agendas, que são todo ano distribuídas pelas empresas que fazem marketing, serviam para anotar compromissos, organizar a cabeça, aproveitar melhor o tempo no trabalho e no lazer.
Agora não, agora tem agenda que funciona como produto cultural. Acabei de ganhar uma agenda assim. José Inácio Vieira de Melo, poeta e jornalista, assina o prefácio. É isso, tem agenda que tem prefácio. A obra se intitula “Brasil Retratos Poéticos 2010”.
Ele comenta a poesia primordial da Bahia até chegar ao nosso tempo. Então cita Adelmo Oliveira, Affonso Manta, Fernando da Rocha Peres, Florisvaldo Mattos, João Carlos Teixeira Gomes e Myriam Fraga, a Geração Mapa, liderada por Glauber Rocha lá pelos anos 50. Depois fala da geração 80, da geração 90, até a poesia contemporânea, “pulsante e vivaz”. E vem com tradução para o inglês.
Você abre janeiro e lá está o baiano de Poções, Affonso Manta: “Fazer da brisa um traje sem medida/e do arco-iris fazer um tobogã/Amar as mínimas coisas da vida/e ter no olhar as luzes do amanhã”. Você avança em janeiro e lá está Damário Dacruz, nascido em Salvador mas filho por opção de Cachoeira: “Entardece cedo o dia/quem não ousa em clara manhã”. Você vai a fevereiro e encontra Adelmo Oliveira, nascido em Itabuna e soteropolitano por opção: “Esta que vem do mar por entre os ventos/Sacudindo as espumas dos cabelos/Vem molhada de azul nos pensamentos/Seu corpo oculta a ilha dos segredos”.
A agenda “Brasil Retratos Poéticos 2010”, da Escrituras Editora, além dos fragmentos poéticos, concilia a escrita e a imagem. Há belíssimas fotografias de Maurício Simonetti e Rogério Reis. A obra é editada pelo paraibano Raimundo Gadelha, que já foi publicitário, jornalista, e hoje é fotógrafo e editor, sem abdicar, é claro, de sua produção literária.
O poeta Adelmo Oliveira me deu um exemplar de presente. Autor de “O som dos cavalos selvagens”, “Canto mínimo”, “Poemas da vertigem” entre outros títulos, é dele o fragmento que encontrei nas páginas de maio: “Abro a boca das palavras/Sou a fala/Sou o grito/Sou em eco de silêncio do infinito/que perturba a razão deste enigma”.
Oldack Miranda

HOTEL REÚNE A "FAMIGLIA", WAGNER DISPARA

Enquanto a famiglia tentava se reorganizar em forma de convenção em um hotel da cidade no último final de semana, o Instituto Datafolha tratava de jogar água na fervura deles.
O atual governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), lidera as intenções de voto para a sucessão estadual em todos os cenários pesquisados pelo Datafolha, com índices que vão de 39% a 43%. Seu principal adversário até o momento é o ex-governador Paulo Souto, do DEM, que varia de 22% a 25%.
O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), que rompeu sua aliança com o governador em julho, tem de 10% a 13%.
Veja os números do principal cenário:
Wagner tem 39%
Paulo Souto 24%
Geddel - 11%


Em defesa de Serra - Até a Veja ironiza o DEM:A juventude do DEM e o CQC


Você já ouviu falar da juventude do DEM? Nem eu. Mas o partido crê firmemente que ela existe e quer motivá-la.
Como? Preparou um megaevento para a juventude do partido durante o feriado de…finados. Foi Blumenau, Santa Catarina.
Reunindo pouco mais de 500 militantes, o partido, que vem perdendo parlamentares ano após ano, convidou o âncora do CQC, Marcelo Tas, o consultor de imagem Mario Rosa, o cientista político Antonio Lavareda, e até um líder estudantil anti-chavista da Venezuela.
Os temas discutidos foram basicamente: internet, a imagem dos políticos e a militância de oposição.
Quem diria que um dia o Lauro Jardim, empregado da Veja, fosse escrever isso.
Sinais dos tempos!
Rá rá rá, uma data bem apropriada pra reunir a juventude dos demos! Que até pode existir, mas só na idade, porque no pensamento e nas ações representam o atraso e a senilidade da decadente elite política brasileira.
Agora...Logo no dia dos finados?.. Estiveram presentes ACM e os generais da Ditadura?

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Para que serve a utopia?

“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos. Ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar”.
A frase de Eduardo Galeano está no cartão de Natal da Assessoria Geral de Comunicação Social do Estado da Bahia, que me foi enviado pelo Assessor Geral de Comunicação, Robinson Almeida.
Segue a mensagem:

“O Governo da Bahia segue em frente em sua missão de promover desenvolvimento, democracia e inclusão social para todos. Um passo após outro, está realizando o sonho da casa própria, da alfabetização, do acesso à água, à saúde e ao saneamento para milhões de baianos. Caminha para 2010 com vontade de fazer ainda mais para quem mais precisa. Que no ano novo a caminhada seja repleta de boas notícias. Feliz 2010”.
Oldack Miranda

Por quem ardem as favelas


 
Eles são quase todos negros, desdentados, maltrapilhos. Moram em arremedos de casas que para abrigar animais já seriam impróprios. Desdentados, sujos, sem saberem se expressar, olhos sempre avermelhados, lábios rachados, unhas malfeitas, pés calejados, cabelos desgrenhados, almas dilaceradas...
Eu sinto dor por eles. Dor mesmo. Penso em cair numa situação dessas. Mesmo não sendo o caso, penso em como sofrem e sofro junto. Não posso evitar. Sinto um aperto no peito. Os olhos ficam marejados. Não agüento.
Sou sincero. Não agüento mais ver tanta injustiça, tanto sofrimento, tanta violência.
E não é porque pobre é naturalmente malvado e gosta de viver perigosamente em áreas de risco, porque gosta de se expor à morte a cada dia, a cada hora, a cada mês e ano, mas porque não tem alternativa, pois quem deveria se ocupar de seu calvário são as autoridades que os acusam.
É revoltante.
E depois ainda dizem que são sujos, que atiram muito lixo na rua. Dizem isso com asco. Se lhes pudessem ver as caras, veriam bocas retorcidas e cenhos franzidos, num esgar de horror repugnado.
E aquelas crianças passando mal com a fumaça, e suas jovens mães desconsoladas e seus pais perplexos, e seus velhos entregues e quase que implorando por um fim piedoso numa cama quente, se possível sem sentir dor.
Onde estão os seres humanos?
Por que o governo do Estado não reduz suas peças publicitárias dizendo de seus trens virtuais de metrô dos quais só veremos a cor daqui a dois ou três anos e cuida desses coitados doando a eles aquela área, e lhes levanta pelo menos os barracos que lhes foram queimados pela décima quarta vez neste ano?
Porque não se pode ter um pingo de compaixão por esses compatriotas de outras partes do país que vieram buscar esperança entre nós?
Porque são negros?
Porque têm sotaque?
Porque são desdentados?
Porque são maltratados pela vida?
Porque não nos podem servir em nada?
Não precisamos adotá-los. Basta concordarmos que algum dinheiro dos nossos impostos lhes seja facultado numa situação de calamidade.
Eles não são loirinhos
Eles não têm olhinhos claros
Não vestem roupas de grife nem usam perfumes do free-shop.
Não nos podem convidar para festas bacanas
Nem conseguirem empregos para um de nossos filhos
Mas são gente como nós. Têm sangue vermelho nas veias.
Se agredidos, sagram. Se magoados, sofrem.
Precisamos repensar esta sociedade, meus caros. A todos vocês que me lêem, digo-lhes com pureza d’alma: não basta cobrarmos a direita. É preciso dar o exemplo. Temos que ser mais solidários, a classe média favorecida que é quem lê coisas como as que escrevo aqui.
Vocês podem achar que não, mas são de classe média favorecida.
Vocês não vivem em barracos pendurados em encostas de terra movediça
Eles não tocam fogo nos seus barracos porque vocês não vivem em barracos
Eles não batem em vocês, a polícia deles não os espanca, vocês não são sujos ou desdentados
Os mais favorecidos têm que se propor à solidariedade. Temos que exigir um programa do Estado e apoiar que seja custeado com nossos impostos para estabelecermos a paz social no Brasil. Tenho certeza de que até os mais ricos entre todos os ricos adorarão viver em um país pacificado.
Eduardo Guimarães

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